A partir do dia 05 de Dezembro de 1965 (em Lisboa) e no Porto, passaram a ter os Porfirios, loja especializada em vestuário jovem, copiado directamente de Carnaby St e outros centros de moda mais em voga na segunda metade dos anos 60. Isso porque os donos se limitavam a importar ideias e não as roupas propriamente ditas, as quais eram 97 por cento de fabrico nacional.
A loja de Lisboa, localizada no nº 63 da Rua da Vitória, tinha duas entradas, passagens muito estreitas, escadas em caracol, luzes psicadélicas (embora o ambiente geral fosse um tanto ou quanto pró escuro), música anglo-americana em som muito alto, e...claro, roupa muito louca para aquilo a que a juventude portuguesa estava habituada: jeans de vários tecidos e feitios (com os anos 70 chegaram as “bocas de sino”), camisas muito coloridas e às flores, blusões estampados, as inevitáveis mini-saias, os anéis, os lenços, os cintos (os meus preferidos eram os que tinham o logo da casa, dois círculos concêntricos), os colares e variadíssimos artefactos, desde carteiras, isqueiros, posters, enfim..., um pouco de toda a parafernália que se vendia lá por fora.
Os Porfírios marcaram efectivamente toda uma nova geração (ou pelo menos uma parte importante dela, visto nem todos terem aderido àquelas extravagâncias na altura), assumindo um papel de relevo na criação da moda jovem até aí inexistente, como recorda o estilista Manuel Alves: «a única ligação com o mundo, num Portugal pautado por uma mentalidade um bocado tacanha e provinciana, a loja remava contra a maré e o obscurantismo do país».
Hoje apenas a loja do Porto se encontra ainda em funcionamento, a de Lisboa fechou em Setembro de 2001.
Alguém comentou assim:
Lembrei-me da saia que tive mais estimada. Acompanhou-me no período hippy da minha vida, que não foi de grande gosto, devo confessar.
A loja Porfírios, foi o grande hit da minha geração em termos de indumentária e acessórios.



