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Conjunto de Oliveira Muge – A Mãe (EP 1966)

domingo, 3 de maio de 2026



Conjunto de Oliveira Muge – A Mãe (EP Parlophone – LMEP 1331, 1966).
Género: Pop/Rock, Mod.


A Mãe” (na edição moçambicana o disco tem o nome, “On the Road with Oliveira Muge”) é o título do segundo EP do Conjunto de Oliveira Muge, lançado através da editora Parlophone, em 1966. O Conjunto de Oliveira Muge era inicialmente constituído por José Muge (piano), Joaquim Silva (baixo e vocalista), Alberto Capitão (acordeão), António Biscaia (bateria) e António Policarpo (viola e vocalista). As suas primeiras actuações remontam aos longínquos anos de 1959/60, onde actuaram ao vivo em Ovar, no Café Progresso, Orfeão de Ovar, várias localidades do distrito de Aveiro, e nos estúdios da RTP/Porto, em dois programas em directo e no Rádio Club Português (RCP/Norte). No entanto, a formação clássica do Conjunto de Oliveira Muge em Moçambique (baseado em Vila Pery), era formada por José Muge (teclados), António Policarpo (vocalista e viola solo), António Muge (bateria), todos da cidade de Ovar no distrito de Aveiro e José Violante (viola baixo) nascido em Cinfães do Douro mas que vivia em Vila Pery/Moçambique, desde o mês de nascimento. Em 1966, surgiu a hipótese de se deslocarem à África do Sul para gravarem nos estúdios da Parlaphone/EMI e foi editado, pela Importadora, o 2.º EP, “On the Road with Oliveira Muge”, onde estava incluída a faixa “A Mãe”, da autoria de António Policarpo. Foi nessa época considerado um dos melhores conjuntos de Moçambique, de grande qualidade musical. Venderam inúmeros EPs e as suas canções passavam imensas vezes nas rádios. Os seus EPs gozavam de grande popularidade, colocando-se entre os tops dos 10 mais vendidos. O tema “A Mãe” foi das canções mais solicitadas nas rádios pelos militares em Moçambique, no período da Guerra Colonial. O conjunto manteve-se activo até cerca de 1974, reaparecendo em 1976, actuando durante vários anos no Restaurante Progresso na praia do Furadouro, em Ovar. Mais informação sobre este excelente conjunto português, já se encontra inserida neste blog.


Faixas / Tracklist:

A1 - Nessuno Mi Puó Giudicare (Pace, Beretta, Panzeri, Del Prete) 2:54
A2 – Mirza (Nino Ferrer) 2:32
B1 - A Mãe (A. Policarpo) 3:17
B2 - In Un Fiore (Donida, Mogol) 2:57

NOTA: Em Moçambique e em Portugal (Continental) o mesmo EP foi editado com capas e títulos diferentes. Destacamos o famoso tema "A Mãe", neste 2º. EP do conjunto.

EP ripado do vinil e gentilmente cedido pelo nosso amigo A. Carpinteiro, a quem agradecemos.

Natércia Barreto (Techa) - Exito = Técha (EP 1970)

terça-feira, 30 de abril de 2024




Natércia Barreto (Techa) – Exito = Técha (EP Parlophone – JGEP 12019, 1970).
Edição Sul Africana (EP considerado raro).
Produtor: Joe Nofal.
Género: Pop, Pop/Rock, MPP.


Exito = Técha” é o sexto EP da cantora Natércia Barreto (Techa), lançado através do selo Parlophone (edição Sul Africana), em 1970. Natércia Barreto (Maria Natércia Mesquita Barreto Pereira), conhecida também como Techa, nasceu na cidade de João Belo (Xai-Xai)/Moçambique em 7 de junho de 1950. É uma cantora com carreira musical nas décadas de 60 a 80. Começou a cantar ainda muito jovem apresentando-se em programas de rádio (RCM) como "Os Sobrinhos da Tia Zita" e "Gente Nova ao Microfone", ambos de Maria Adalgisa e António Fonseca. Em 1963 fez parte do Conjunto Feminino e em 1964 passou para os quadros do Rádio Clube de Moçambique onde cantou com a Orquestra de Variedades dirigida por Artur Fonseca e a Orquestra Típica dirigida por António Gavino. Em 1965 foi a vencedora do "Óscar Revelação" e foi também "Rainha da Rádio" de Moçambique.


 O seu primeiro EP, "Natércia Barreto Canta Para Si!”, foi editado em 1968. O disco incluía versões de "San Francisco" e "A Tua Canção" ("Eternally", de Charles Chaplin) e ainda os originais "Deixem-me Ser Teenager" (da autoria de Guilherme de Melo e Artur Fonseca) e "Gigi" de Guilherme de Melo e António Gavino. No entanto o seu grande êxito foi "Óculos de Sol", em 1969 (versão portuguesa de “Sunglasses”, famosa pela sul africana Hilary, em 1968, canção composta por John Loudermilk). Em 1970 é novamente Rainha da Rádio tendo em masculinos sido vencedor o cantor Carlos Guilherme. Mais tarde, foi viver para a África do Sul. Em 1981 grava o seu último 45 rotações, que contou com a colaboração de Al Rodrigo, "Fantasia" e "Amanhã, Amanhã". A partir de 1995 começou a cantar fado juntamente com Zito e outros artistas da comunidade portuguesa na África do Sul. Mais informação sobre esta cantora, já se encontra inserida neste blog.



Faixas / Tracklist:

A1 - Caminha Ao Sol Amigo (Pereira Pinto)
A2 - Traz Nas Mãos Um Braçado de Flores (Júlio Correia, Pereira Pinto)
B1 - Cada Vento (M. dos Santos, António Quadros)
B2 - Homens do Mar (José Manuel Santos, Luís Arriaga)

Intervenientes:

Natércia Barreto (Técha) – Voz
Robin Netcher - Arranjos.

EP ripado do vinil e masterizado por Carlos Santos. Capas gentilmente cedidas pelo nosso amigo AJP e selos por LPA, a quem agradecemos.

Adágio Vocal – Antologia (1973)

quarta-feira, 15 de setembro de 2021




Adágio Vocal – Antologia (1973)
Género: Folk, Pop. 
 
Adagio Vocal: Carlos Alberto, Zé Carlos e Jorge Larsen.

Faixas/Tracklist:

01. Mamana Joana (Carlos Alberto, Jorge Larsen)
02. Canto P’ra Amizade (Carlos Abrantes, Zé Carlos)
03 - Recortes D' Infância (Zé Carlos, Tébruci Pinto)
04 - O Velho Adamastor (Carlos Alberto)

Nota: As canções apresentadas nesta “Antologia” estão incluídas em dois singles que foram gravados nos estúdios do Rádio Clube de Moçambique e lançados, ambos, em 1973.

Carlos Alberto, Zé Carlos, Toni e Jorge Larsen.

Antologia” é uma compilação do grupo moçambicano Adágio Vocal que reúne as quatro canções gravadas pelo trio, em 1973. Adágio Vocal foi um trio musical de folk/Pop, originário de Lourenço Marques/Moçambique (Província portuguesa, na época), constituído em maio de 1972 por jovens moçambicanos que se propunham contribuir com as suas músicas, para o enriquecimento do panorama musical moçambicano, com temas de sua autoria e cantados em língua portuguesa, suportados pelas vozes e por violão clássico.A sua formação era constituída por Carlos Alberto, Zé Carlos, e Jorge Larsen. Estes três jovens estudantes do Instituto Comercial de Lourenço Marques, com o gosto comum pela música, decidiram abraçar um projeto musical diferente. Começaram por interpretar, para além de canções originais, temas de Georges Moustaki, Bee Gees e Donovan e, em junho de 1973, gravam o seu primeiro Single. O disco contém as canções "Mamana Joana" e "Canto Para a Amizade", tendo a primeira atingido grande popularidade. O tema “Mamana Joana” ganha rapidamente uma projeção popular assinalável. A canção foi tocada amiúde nas rádios. O sucesso desta canção projeta o grupo para um visível mediatismo. O grupo recebeu notícias de que a canção estava a ser um grande sucesso na cidade da Beira/Moçambique, onde o tema era repetidamente replicado na rádio.
No entanto, na discografia do grupo constam dois singles, sendo o primeiro aquele que maior impacto provocou no panorama musical, com o referido e popular tema intitulado "Mamana Joana". O Carlos Alberto e o Jorge Larsen participarem com letras das canções. Destacamos aquele que mais contribuiu com material para o grupo, o Carlos Abrantes ("Tibucci Pinto") também colega de escola dos demais. Posteriormente a Isabel Cruz e o Jorge Faria, colaborariam com alguns poemas. Do segundo single, “Recortes D' Infância”, também de 1973, destacamos o tema “O Velho Adamastor”.
As convulsões registadas em Moçambique após a Revolução de Abril e ainda o serviço militar que dois dos elementos cumpriam ainda em 1974, determinou o fim imprevisto do percurso deste grupo, que muito prometia no panorama musical de Moçambique. Optam por vir estudar para Portugal e concluir os estudos, pondo fim ao conjunto. O trio esteve em actividade no período de 1972 a 1974 e gravaram os singles para duas etiquetas, Afrosom e LM Discos.

Truclas, Zé Carlos, Jorge larsen, Toni e Carlos Alberto.

Membros/Members:

Os integrantes base do grupo Adagio Vocal e transversais na época foram, o Carlos Alberto, o Zé Carlos e o Jorge Larsen. No final de 1973, por razões que se prendiam essencialmente com as ausências (serviço militar) do Jorge Larsen, duas cantoras, a Nica e a Stela (durante poucos meses), colaboram com o grupo no apoio vocal. Participaram também na gravação do 2º single da formação. No inico de 1974, já com o Zé Carlos também a cumprir serviço militar e o Carlos Alberto assoberbado com os estudos, decidiram juntar ao grupo dois experientes músicos, o Toni e o Truclas.
Esta formação, embora tenha participado na gravação musical do inacabado terceiro disco, rapidamente se desfez.

Integrantes Originais/ Original Members:

Carlos Alberto Lopes Pereira
José Carlos Cruz
Jorge Larsen

DISCOGRAFIA:


Adágio Vocal – Mamana Joana (1º Single - Afro Som MLSP 101, 1973).
Género: Folk, Pop.

Faixas/Tracklist:

A - Manana Joana (Carlos Alberto, Jorge Larsen)
B - Canto P’ra Amizade (Carlos Abrantes, Zé Carlos)

Músicos/Personnel:

- Vozes: Adágio Vocal
- Colaboração do Maestro Queiroz – Piano e Arranjos
- Artur: Flauta
- Zé Faria: Bateria
- S. Pamplona: Viola Baixo

Nota: Gravação nos estúdios do Rádio Clube de Moçambique


Adágio Vocal – Recortes D' Infância (2º Single - LM Discos – SP-213, 1973).
Género: Pop, Folk.

Faixas/Tracklist:

A - Recortes D' Infância (Zé Carlos, Tébruci Pinto)
B - O Velho Adamastor (Carlos Alberto)

Músicos / Musicians:

Violas, Vozes e Melódica: Adágio Vocal

Colaboração de:

- Vozes: Nica e Stela
- Piano: Renato Silva
- Viola Baixo: Alexandre Rodrigues (Alex)
- Bateria: Dino Antunes (Dino)

Nota: Gravação nos estúdios do Rádio Clube de Moçambique

Compilação disponibilizada por Carlos Santos.

Morreu Hélder Matias, Excelente Viola Solo Moçambicano.

sábado, 3 de julho de 2021


A família moçambicana está de luto! Faleceu hoje, dia 3 de julho de 2021 em Joanesburgo/África do Sul, devido a complicações associadas à Covid 19, o nosso amigo de longa data Hélder Matias, excelente e virtuoso guitarrista, integrante de vários conjuntos moçambicanos dos anos 60. Os Corsários foi um desses grupos a que Hélder esteve associado, um excelente conjunto de Moçambique formado em 1962, e uma das primeiras bandas de rock que surgiram em Lourenço Marques, constituído por Hélder Matias (actualmente vivia em Joanesburgo/África do Sul - viola solo), Alexandre Loureiro (já falecido) (viola ritmo), Nelson Barbosa (viola baixo) e Vitor Tomé (já falecido) como vocalista e Noivo na bateria.


Posteriormente, Noivo saiu do grupo e, para o seu lugar entrou o Victor Ribeiro (Nerú). Também ficou pouco tempo, tendo sido substituído por Gonçalves e mais tarde pelo Carlos Alberto (ex-Night Satrs). Participaram em concursos regionais de conjuntos, vencendo em 1964 o prémio de “O Melhor Conjunto da Cidade e, nas eliminatórias do Concurso Yé Yé, em Lourenço Marques. O padrinho do grupo foi o jornalista Guilherme de Melo. Os Corsários eram os rivais directos de outro excelente conjunto, os Night Stars que foram finalistas em 1966 no Festival Ié Ié, realizado no Teatro Monumental, em Lisboa. Mais algumas alterações aconteceram. Saiu Victor Tomé e entrou Joe Mendes que viera de Angola. Fizeram digressões por toda a Província de Moçambique.


Entretanto Nelson deixou a música e foi substituído por Noel Cardoso (ex. Night Stars). Em 66 Joe sai e entra Carlos Duarte que vinha dos Beatnicks. Depois dos Corsários se terem separado em 1968, Hélder Matias fez parte de outro excelente grupo, Os Impacto com Carlos Duarte (vocalista), Carlos Alberto Silva (baterista, que tinha integrado anteriormente outros grupos como os Night Stars, os Corsários, os Inflexos e mais tarde AEC 68, entre outros), Hélder Matias (viola solo, ex-Corsários e Inflexos), Francisco Pereira (Chico, Inflexos) substituído posteriormente por Noel Cardoso na viola baixo (ex-Night Stars) e João Maurílio (teclados, mais tarde também nos AEC 68).


Sentidos pêsames à família enlutada e amigos.

R.I.P.

Carlos Santos

Orchestra Marrabenta Star de Moçambique – Independance (1988)

sexta-feira, 5 de abril de 2019



Orchestra Marrabenta Star de Moçambique – Independance (1988). 
Produtor: Aurelio do Libom 

Esta é a nossa homenagem ao sofrido povo de Manica e Sofala, especialmente à cidade da Beira, pelas desgraças trazidas pelo ciclone Idai e suas consequências. 


A “Orchestra Marrabenta Star de Moçambique” foi formada em 1979 pelos três dos melhores cantores de Marrabenta, Dulce, Mingas e Wazimbo, juntamente com quatro dançarinos da National Dance Troupe e a lendária banda "Grupo R.M." (Grupo Radio Moçambique). 
A alegria e a felicidade expressas no ritmo marrabenta são o resultado da firme crença das pessoas num futuro de paz e prosperidade para este seu país. A Marrabenta é o ritmo nacional de Moçambique. 
A Orquestra Marrabenta Star de Moçambique foi uma das bandas mais empolgantes de Moçambique nos anos 80 e início dos anos 90, com os seus ritmos enérgicos e ritmados. O estilo de marrabenta do grupo, a música de dança urbana de Moçambique, apresentava duas guitarras principais ajustadas às tensões harmónicas de um teclado, uma secção rítmica que incluía baixo, bateria e percussão e uma secção de metais com dois trompetes e saxofone. Wazimbo, que já se havia apresentado anteriormente no Grupo Radio Moçambique, escreveu a maior parte do material da banda. A sua música de maior sucesso foi "Nwahulwana". 
Desde o desmembramento da Orquestra Marrabenta Star de Moçambique, Wazimbo e Mingas seguiram as suas carreiras a solo, com muito sucesso. 

Dançando Marrabenta.

Marrabenta é uma forma de música-dança típica de Moçambique e o seu nome foi derivado da palavra portuguesa "rebentar". Incorporou vários ritmos folclóricos como os Magika, Xingombela e Zukuta, sendo também sujeita à influência ocidental. Foi desenvolvida em Maputo, a actual capital de Moçambique, que até à independência daquele país, era conhecida como Lourenço Marques. 
Começou no final dos anos 30, com artistas mais antigos como Fany Mpfumo e Dilon Djindji, que iniciaram a sua carreira em 1939. Tornou-se muito popular na década de 50 com conjuntos como Djambu e Hulla-Hoope Harmonia. 
A popularidade da marrabenta atinge novo pico na década de 80 com bandas como Eyuphuro e Orquestra Marrabenta Star de Moçambique. Mais tarde, a banda moçambicana Mabulu, mistura o estilo rap e a marrabenta. 

Faixas/Tracklist: 

01 – Elisa Gomara Saia 5:12 
02 – Nhimba Ya ‘Dota 4:36 
03 – Parabens 6:35 
04 – Marozana 4:06 
05 – Valha 5:16 
06 – Sapateiro 5:27 
07 – Alirandzo 5:27 
08 – Tsiketa Kuni Barassara 4:24 
09 – Nwahulwana (unfinished) 2:09 

Músicos Intervenientes/Personnel: 

Zeca Tcheco – Bateria 
Milagre – Guitarra baixo 
Guimarães – Guitarra ritmo 
Sox – Guitarra Solo 
Stewart - Percussão 
Leman – Trompete 
Matchoti – Saxofone 
Vozes – Dulce, Mingas. 

Álbum gravado nos Shed studios, Harare/ Zimbábue (antiga Salisburia) 

Álbum disponibilizado por Carlos Santos.

Faleceu Dino Antunes, baterista do Conjunto Night Stars (Moçambique)

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Faleceu Dino Antunes, baterista do Conjunto Night Stars (Moçambique).

Foi com muita tristeza que tomei conhecimento da morte do amigo de longa data, Dino Antunes, amigos desde antes de ele ter ingressado nos Night Stars para substituir o baterista Carlos Alberto, em finais de 1964.

Dino Antunes e Carlos Santos, em 2013.

Bernardino Rodrigues Antunes, mais conhecido por Dino ou Dino Antunes, ex-baterista do Conjunto Night Stars, faleceu a 23 de Setembro de 2018, com 74 anos, e vítima de doença prolongada. Dino começou nos Académicos com Pestana na guitarra, Serra no baixo e Costa no contrabaixo e quando Carlos Alberto saiu dos Night Stars para os Corsários, Dino foi convidado a substituí-lo. É assim que em 1966 vem a Lisboa com o grupo para o grande concurso ié ié do MNF. No concurso ficam no 3º lugar. Em primeiro ficou o grupo "Os Claves"(grupo do Continente) e em 2º um de Angola (Os Rocks). Acabam por ganhar o prémio interpretação e canção original em português, "Eu Sei" que era tudo menos original, era uma versão da canção dos Beatles "I'll Be Back" e dos brasileiros "Renato e Seus Blue Caps". Em Lisboa gravam 2 discos que são lançados um em 65 e o outro em 66. Voltam a Moçambique e continuam a tocar até que parte dos membros têm de ir para o serviço militar. A última actuação dos Night Stars foi no Salão Paroquial de S. António da Polana. Depois de voltarem à vida civil Dino começa a aprender a tocar piano acabando por integrar um grupo que vai tocar para o restaurante Sheik com o Bony no órgão, Rodolfo na viola, Dino na bateria, Tito no baixo e Carlos Duarte na voz.


Depois em 75/76 vem para Lisboa e vai tocar no Casino do Estoril. Aí tocavam Renato Quaresma (viola-solo e ritmo), João Maurílio (órgão), Filú (baixo) e Dino (bateria). Depois vão para o Hotel Sheraton na Madeira. Tempos depois saiem Renato e Maurílio e entram Juanito e Carlos Bettencourt. Ficam por lá. Já tinha 33 anos quando foi aprender piano e Tony Amaral foi um dos seus porfessores. Regressado da Madeira vai tocar para o Iate Ben em Carvavelos até que um incêndio o destruiu. Fica a tocar em várias unidades do grupo Casino do Estoril, como o Hotel Vila Galé ou Hotel Vlllage até que a saúde o trai. Nestes últimos anos encontrávamos-nos nos almoços e pouco mais. Depois de ter recuperado, eis que a saúde o volta a trair. Nas palavras de seu amigo Mário Ferreira, Dino era um tipo excepcional e um bom amigo: «Ainda em Agosto lhe tinha comprado um teclado e o Dino esteve a dar-me umas dicas para eu aprender, até gravei». À Lavínia e aos filhos endereçamos as nossas homenagens. (baseado, com algumas adaptações, num texto inserido na ondapop nº 97)

Apresentamos à família e amigos os nossos mais sentidos pêsames.

R.I.P.

Carlos Santos.

Morreu Filipe Vedor, baterista moçambicano.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Morreu Filipe Vedor, baterista moçambicano.

Filipe Vedor ficará para sempre lembrado e ligado ao Conjunto “Os Cartolas”, de Lourenço Marques/Moçambique e aos Corsários.
Foi em 1966, que nasceu um novo grupo musical em Moçambique, "Os Cartolas". Mário Cordeiro é o organista, José Eduardo Couto seria o viola solo e o seu amigo sul africano, Benny Walter, que tocava guitarra havaiana, passou para a viola baixo. Abel Ferreira que tocava no conjunto Djambo foi convidado por Mário Cordeiro para viola ritmo. Também o baterista Filipe Vedor é contactado por Mário Cordeiro, e é aceite no grupo. Estavam formados "Os Cartolas". Vedor não tinha bateria. É Eduardo Pereira líder do Conjunto Eduardo Pereira que lhe vende a sua e a 1ª apresentação vai ser na Casa do Algarve, na Av. Afonso de Albuquerque. O grupo tem um tema para abertura dos shows, que à falta de gravações suas, foi muito divulgada pelos Ventures, Pipeline".


A banda percorre todo o circuito “Laurentino” de festas, bailes e tardes dançantes como, a Associação dos Velhos Colonos, o Clube dos Lisboetas, o Zambi, as festas das Casas Regionais e os Bailes de Finalistas, conseguindo alcançar bastante êxito tocando um misto de pop rock e sucessos da época. Em 1967 concorrem ao Festival Yé Yé organizado pelo Movimento Nacional Feminino no pavilhão desportivo do Malhangalene que foi ganho pelo conjunto de Mário Ferreira "Os Boys", ficando "Os Rebeldes" em 2º e "Os Cartolas" em 3º. Filipe Vedor foi considerado o melhor baterista pelo solo que fez na música "Take Five". Ainda em 1967, são considerados pela Imprensa Moçambicana como o Conjunto Revelação do Ano. 


Em 68, Vedor e Couto são incorporados no exército e acabam por ser colocados em Mocímboa da Praia, aí passam também a incorporar o grupo musical da Região Militar que tocava nos diversos quartéis do Norte de Moçambique. Chegam a tocar também com Jorge Cortez de "Os Rebeldes" da Beira.
Depois do regresso do serviço militar e posterior retorno aos Cartolas, Filipe Vedor vai acabar por deixar o grupo em 1972.
Uma breve biografia do grupo e o seu EP, encontram-se postados neste blogue, aqui: http://musicasdosanos60.blogspot.pt/2013/09/conjunto-os-cartolas-os-cartolas-ep-1968.html

Adeus amigo, até um dia…!

R.I.P.

Agradecimento ao nosso amigo Victor Ribeiro (Neru), pela informação.

Conjunto Académico João Paulo ‎– Conjunto Académico João Paulo Em Moçambique (LP 1966)

domingo, 6 de novembro de 2016


Conjunto Académico João Paulo ‎– Conjunto Académico João Paulo Em Moçambique (LP Columbia ‎– 33JSX 87, 1966). LP considerado raro.
Género: Pop.


A seguir ao primeiro LP de 1966, “Conjunto de João Paulo em Lourenço Marques”, é lançado no mesmo ano, para o mercado moçambicano, este álbum “Conjunto Académico João Paulo Em Moçambique”, editado por ocasião da visita do conjunto àquele país.
Em 1966, o Conjunto João Paulo esteve naquela ex-Província Ultramarina, tendo actuado nas principais cidades, incluindo zonas de intervenção militar, como Nampula, Moeda e Vila Cabral, proporcionando a esses militares momentos de repouso, distracção e alegria. Foi um sucesso!
Este versátil conjunto, que tanto interpretava música portuguesa como música internacional, cedo se soube impor à consideração e agrado de numerosos fãs e admiradores, pela forma, qualidade e técnica das suas interpretações.

Moçambique, em 1965 (o grupo ainda na vida civil)

O Conjunto Académico de João Paulo conheceu sempre momentos de grande apoteose, e continua, através dos tempos, a manter um extenso grupo de admiradores. 
Originário do Funchal/Madeira, o Conjunto (Académico) João Paulo alcançou, nos anos 60, o topo da popularidade no panorama nacional da música pop/rock, levando as suas criações além fronteiras. Congregando influências do rhythm’n’blues, do rock’n’roll, do pop e do yé-yé, o conjunto soube criar um estilo próprio que se impôs no meio musical português, como provam os diversos prémios e concursos que ganhou. Para tal sucesso, muito contribuiu o carisma do vocalista Sérgio Borges, que protagonizou também uma longa carreira individual. 
A biografia do grupo já se encontra inserida neste blogue.


Faixas/Tracklist:

A1 Capri C'Est Fini (Hervé Vilard) 
A2 Ciao (Pleretti, Tical, Sigman) 
A3 Balada A Uma Rapariga Triste (Sérgio Borges, Carlos Alberto) (acompanhamento pela Orquestra de Jorge Costa Pinto) 
A4 Eu Tao Só (Charles Aznavour, G. Garvarentz) 
A5 Hully Gully Do Montanhês (Sérgio Borges, Carlos Alberto) 
A6 Non Son Degno Di Te (Zabmrini, Migliacci) 
B1 Milena (A Da Praia) (Sérgio Borges, Carlos Alberto) 
B2 Diz-Lhe (Sérgio Borges, Carlos Alberto)
B3 Nunca Direi Adeus (António S. Freitas, Joaquim L. Gomes (arranjos por Joaquim Luís Gomes) 
B4 Greenback Dollar (Axton, Ramsey) 
B5 Ele E Ela (Carlos Canelhas) 
B6 Se Mi Vuoi Lasciare (Leva Gamplero, Raverbert) 

Crítica dos jornais moçambicanos da época...

Formação do conjunto:

Sérgio Borges - vocalista (já falecido) 
Ângelo Moura - viola baixo 
José Gualberto - bateria (já falecido) 
Rui Brazão - viola ritmo 
João Paulo - teclas (já falecido) 
Carlos Alberto - viola solo. 

LP gentilmente cedido pelo nosso amigo Ângelo Moura (elemento/baixista do conjunto), assim como as imagens, a quem agradecemos.

Conjunto de João Paulo – Conjunto de João Paulo Em Lourenço Marques (LP 1965)

quinta-feira, 3 de novembro de 2016


Conjunto de João Paulo – Conjunto de João Paulo Em Lourenço Marques (LP Columbia ‎– 33JSX 71, 1965). Álbum considerado muito raro.
Género: Pop.

Foto do grupo no Teatro Manuel Rodrigues, em Lourenço Marques, na segunda metade dos anos 60. 
O Conjunto Académico João Paulo era constituído por Sérgio Borges, Carlos Alberto, Ângelo Moura, José Gualberto, Rui Brasão e João Paulo, e serviram de modelo à juventude daqueles anos, que se revia nas diversas versões das canções francesas, italianas e anglo-americanas, então em voga.

O Conjunto de João Paulo, também conhecido como “João Paulo e o Seu Conjunto Académico”, “Conjunto João Paulo” ou ainda “Conjunto Académico João Paulo”, formou-se na Madeira nos anos 60.
A partir do seu segundo EP, o grupo, inicialmente formado por sete elementos, passou a ser constituído por João Paulo (teclas), Rui Brazão (guitarra ritmo), Ângelo Moura (baixo), José Gualberto (bateria), Carlos Alberto (guitarra solo, autor da maioria dos inéditos do grupo) e Sérgio Borges (vocalista e autor das letras dos originais e de algumas versões).
Este foi um dos grupos pop portugueses mais famosos, competentes, de maior sucesso e qualidade na década de 60, principalmente pelas suas versões de êxitos internacionais. 
Nessa época, a banda percorria frequentemente as então chamadas províncias ultramarinas portuguesas, em espectáculos para civis e militares. De uma sua estada em Moçambique resultou a edição do LP que aqui apresentamos. No entanto, este álbum é na verdade uma compilação que inclui os temas dos 3 primeiros EPs do grupo (1964-1965). É considerado o primeiro LP português da chamada música pop. Foi editado em 1965, em Moçambique (fabricado no UK), numa altura em que o Conjunto João Paulo fazia uma turnê pelo território, digressão que obteve grande sucesso. À chegada ao aeroporto de Lourenço Marques, o conjunto encontrou-o apinhado de fãs que os esperavam efusivamente e os acompanharam até à cidade, em delírio.
Tal como já referimos, e ao contrário do que o título do LP possa eventualmente sugerir, não se trata de um álbum com músicas inéditas ou ao vivo, mas sim de uma compilação que reúne as 12 canções dos três mencionados EPs, editados pelo conjunto na então Metrópole.

C. João Paulo no Teatro Gil Vicente em Lourenço Marques, em 29 de Outubro de 1969.

Esta edição lançada em Moçambique, antecedeu em um ano uma outra metropolitana do mesmo conjunto, com o título "No Teatro Monumental" que na verdade foi um LP gravado parcialmente ao vivo. Alguns dos temas são originais de estúdio aos quais, posteriormente, foram adicionadas as palmas.
Em 1966, concorreram ao Festival RTP da Canção com o tema "Nunca Direi Adeus". Sendo quase consensuais, apostaram comercialmente em várias frentes, uma das quais passou pela gravação de dois singles com a cantora sul-africana Vicky, talvez numa tentativa de conseguirem maior penetração no mercado sul-africano.
Após Sérgio Borges ter ganho o Festival da RTP em 1970, os discos do grupo passaram a surgir em nome de Sérgio Borges e o Conjunto João Paulo.
A parte final da carreira desta banda é musicalmente interessante, notando-se uma aproximação a estéticas musicais mais avançadas, facto que até as próprias capas dos seus discos revelavam. O grupo termina no final da década de 70.
José Gualberto, baterista do conjunto, faleceu em 2004. João Paulo Agrela, morreu no dia 23 de Abril de 2007 e Sérgio Borges faleceu no Funchal, no dia 17 de Dezembro de 2011.

Conjunto João Paulo tendo como fundo a Catedral de Lourenço Marques/Moçambique.

Discografia que constitui este LP:

- 1º EP - Conjunto João Paulo (EP, Columbia, 1964) [La Mamma/Hello, Dolly/Eu Tão Só (Et Pourtant)/Ma Vie];
- 2º EP - De Novo Com João Paulo e o Seu Conjunto Académico (EP, Columbia, 1965) [It's Over/Se Mi Vuoi Lasciare/Chove/Greenback Dollar];
- 3º EP - +1Disco = 4 Sucessos (EP, Columbia, 1965) [Se Piangi Se Ridi/Nunca Mais/Hully Gully Do Montanhês/Oh Dis Marie].


Faixas/Tracklist:

A1 La Mamma (R. Gail, Ch. Aznavour) 
A2 Hello Dolly! (Jerry Herman) 
A3 Eu Tão Só (Et Pourtant) (Ch. Aznavour, G. Garvarentz)
A4 Ma Vie (Alain Barriere)
A5 It´s Over (Orbison, Dees) 
A6 Chove (Sérgio Borges, Carlos Alberto) 
B1 Se Mi Vuoi Lasciare (Leva, Giampiero, Reverberi)
B2 Greenback Dollar (Hoyt Axton, Ken Ramsey)
B3 Se Piangi, Se Ridi (Satti, Marchetti, Mogol) 
B4 Nunca Mais (Spector, Mann, Weil, Sérgio Borges) 
B5 Hully Gully Do Mantanhês (Sérgio Borges, Carlos Alberto) 
B6 Oh, Dis Marie (D. Hortis, G. Davausne)

LP gentilmente cedido por um amigo, a quem agradecemos.
Capas digitalizadas por João Romão.

Almoço/Convívio Com Ex-Músicos de Moçambique (2016 - II)

domingo, 23 de outubro de 2016
Álvaro Correia Mendes e "Seus Muchachos" em actuação

Almoço/Convívio Com Ex-Músicos de Moçambique (2016 - II)

Carlos Santos e Correia Mendes

Decorreu no passado sábado, dia 22 de outubro de 2016, pelas 12H30, no Restaurante “O Areias”, em Talaíde/Porto Salvo, o segundo almoço/convívio deste ano (o primeiro aconteceu no dia 19 de junho, no Restaurante “Adega Camponesa” em Cabreiro/Alcabideche), num excelente ambiente de confraternização, amizade, alegria, saudade e muito boa disposição, um almoço/convívio que reuniu alguns antigos músicos (e suas famílias), que abrilhantaram os saudosos anos 60/70, em Moçambique. 

Dino na bateria

Neste almoço contámos com alguns dos habituais companheiros destes convívios, destacando-se o nosso amigo "veterano", Boni. Foi também recordada a memória de João Domingos, falecido recentemente, excelente músico e considerado um dos grandes expoentes e intérpretes da “Marrabenta”.
Tivemos também a agradável presença da fantástica vocalista convidada "Neidy" e do excelente cantor Álvaro Correia Mendes, que participou no “Sarau” musical.

Correia Mendes

A seguir ao excelente almoço, um grupo constituído por antigos músicos, deu início a uma espectacular tarde (dançante) musical, recordando velhos temas e tempos, não esquecendo a “marrabenta”, o que demonstrou que esses músicos se encontram ainda em grande forma, assim como muitos que se atreveram a dançar ao seu som. Com os seus ritmos pop e tradicionais de Moçambique, proporcionaram momentos de descontracção e alegria, interpretando música variada e colorindo com os seus sons o final da tarde. 
Hélder, Carlos Santos e Vasquinho

Conjunto em plena actuação

Foi um excelente convívio, divertido, que deu para pôr a conversa em dia e rever histórias passadas. 
Fica aqui o registo desse momento animado e agradável que se pretende repetir.

Festa e dança

Carlos Santos