Rock é um termo abrangente que define o género musical popular que se desenvolveu durante e após a década de 1950. As suas raízes encontram-se no rock and roll e no rockabilly que emergiu e se definiu nos Estados Unidos da América no final dos anos quarenta e início dos cinquenta, que evoluiu do blues, da música country e do rhythm and blues, entre outras influências musicais que ainda incluem o folk, o jazz e a música clássica. Todas estas influências combinadas numa simples estrutura musical baseada no blues que era "rápida, dançável e pegajosa".
No final da década de 1960 e início dos anos setenta, o rock desenvolveu diferentes subgéneros. Quando foi misturado com a folk music ou com o blues ou com o jazz, nasceram o folk rock, o blues-rock e o jazz-rock respectivamente. Nas décadas seguintes o rock incorporou outras influências de géneros como a soul music, o funk e de diversos ritmos de países latino-americanos, etc.
O som do rock muitas vezes gira em torno da guitarra eléctrica e utiliza um forte backbeat (contratempo) estabelecido pelo ritmo do baixo, da bateria, do teclado, e outros instrumentos como órgão, piano, ou, mais tarde, os sintetizadores digitais.
A maioria dos grupos de rock são constituídos por um vocalista, um guitarrista, um baixista e um baterista, formando um quarteto, mas nesse aspecto há uma grande diversidade e variedade de grupos, com um número de músicos variável e instrumentos diversos.
No que diz respeito à realidade portuguesa, naquela época (50 & 60’s) o país estendia-se desde este pedacinho de terra “à beira mar plantado” na Europa até Macau, passando evidentemente por Angola e Moçambique. Isto quer dizer que o Rock em Portugal também tinha em linha de conta os grupos das chamadas “Colónias Ultramarinas”.
Segundo António A. Duarte, no seu livro, A Arte Eléctrica De Ser Português – 25 Anos de Rock’n Portugal, “as primeiras manifestações rock no nosso país nascem de fórmulas importadas”, baseadas nos grandes êxitos de Bill Haley, Little Richard, Chuck Berry, Cliff Richard/Shadows ou Elvis Presley que iam chegando ao país através de discos.
“O rock era a alternativa para a camada mais jovem da população portuguesa, que não alinhava com as canções dos velhos, o nacional-cançonetismo, como também não se interessava pela balada. O Rock era para o pessoal das escolas e dos liceus, para ser dançado “despreocupadamente”, nos tempos livres, para ser cantarolado e copiado pela malta que conseguia uns instrumentos à custa dos pais.”
“Os grupos de rock portugueses do início dos anos 60 têm, entre outros, mais um problema para resolver, caso queiram cantar na sua língua materna. É que a língua, segundo alguns, não se adaptava com facilidade aos temas e ritmos (apesar de os grupos anglo-saxónicos apresentarem por vezes letras simples e de conteúdo, nalguns casos, bastante pobre). Experiências muito curiosas são levadas a cabo por alguns grupos, como os Tártaros, numa tentativa de construção dum rock, cantado em português, sobre raízes ou temas do folclore nacional.”
Um dos pioneiros do Rock em Portugal foi José Cid com os velhos “Babies” (o primeiro grupo português de rock’n roll - 1955) que ainda hoje canta e encanta. É sem dúvida um dos poucos músicos da primeira geração rock portuguesa que ainda actua com regularidade.
Muitos nomes apareceram com algum êxito na ribalta, nos primórdios dos anos 60, tanto individualmente como com grupo. Sem pretender excluir ninguém, saliento no entanto Daniel Bacelar and His Gentlemen/Siderais/Fliers (que ainda canta pontualmente), Os Conchas, Fernando Conde e o Satins/Mistério/Eletrónicos, Zeca do Rock, Victor Gomes e os Gatos Negros/Siderais e outros grupos emblemáticos (para a época) como os Demónios Negros (quatro rapazes com cabelos à Beatle e que se tinham atrevido a tocar o Tema de Raul Ferrão – Coimbra, em ritmo de Twist e com instrumentos eléctricos…!!!, ou os Ekos, Os Plutónicos, Os Night Stars (Moçambique), Os Rocks (Angola), os Sheiks, Jets, Claves e tantos outros. Para além deles, havia também os seguidores dos Shadows (instrumentais), como os Titãs, Os Tártaros, Os Espaciais, Os Guitarras de Fogo, o Conjunto Mistério e muitos outros, como era próprio da época.
Arranjos gráficos (capas), por João Romão.
2 comentários:
C.Santos:
Sem dúvida essa será outra grande coleçâo! já estou aguardando o volume 2.
abs!
miguel
Oi Miguel,
Já estou começando a trabalhar no 2º Volume. Ainda vai demorar algum tempo mas lá chegaremos.
Ainda bem que gostou.
Abraços,
Carlos Santos
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