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Victor Gomes - O Regresso do Rei do Rock (1993)
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Victor Gomes - O Regresso do Rei do Rock (CD Movieplay MOV 30297, 1993).
Foi em Moçambique, país onde chegou aos dois anos de idade com a família, que o então jovem hoquista Vítor Gomes despontou para a fama nos anos 50, depois de vencer de forma arrebatada um concurso do Rádio Clube de Moçambique, destinado à descoberta de novos valores. Atirado para a ribalta, rapidamente se transforma no ídolo das adolescentes moçambicanas. Instigado pelo talento, que o leva a arriscar a sorte na Sétima Arte ("A Canção da Saudade" é o filme com que atinge maior popularidade) e confiante num possível êxito internacional, vem para Lisboa, onde se junta a quatro músicos da Trafaria (três guitarristas e um baterista), inspirados nos Shadows, com quem forma os célebres Gatos Negros. Uma cor associada à indumentária de cabedal com que a banda, caracterizada pelo frenesim electrizante do rock e do twist, domina os palcos portugueses. O fim do grupo dá-se com a ida para a tropa de dois dos quatro músicos e o início da carreira a solo do seu líder, que o leva a Angola, Moçambique, África do Sul e Zimbabwe. Neste último país conhece Nicky Honey, uma sul-africana de origem holandesa, com quem forma um duo até 1972. Dois anos depois põe o primeiro ponto final na carreira, ao casar-se e decidir “obter estabilidade”, voltando à antiga profissão de serralheiro civil. Em 1991, então com 51 anos e seis filhos, Vítor Gomes regressa a Portugal e faz renascer os Gatos Negros apenas com dois dos elementos da banda original, Manuel Eixa e José Alberto, mas apesar de conseguir actuar nas melhores salas de Lisboa, o projecto acaba por não vingar e decide radicar-se no Algarve. Ainda rebelde, mas agora com “mais calma” preparou um CD, cantado exclusivamente em português, com o qual pretendeu revelar o outro lado de um gato, corajosamente bravio. É que, embora o cabelo esbranquiçado – que insiste em conservar meio despenteado e caído sobre a testa – denuncie a idade do bilhete de identidade, o espírito que anima os dias de Vítor Gomes ficou preso ao tempo em que arrastava multidões e rivalizava com duas outras figuras nacionais: Amália, no fado, Eusébio, no futebol. Porque “sem desprimor pelos colegas da altura”, salienta, na música moderna era Vítor Gomes quem levava ao delírio milhares de fãs que o perseguiam. Como numa célebre noite de 1964, na Praça do Saldanha, em Lisboa, com a própria PIDE-DGS (que acompanhava atentamente as suas digressões), a ver-se impossibilitada de exercer qualquer pressão para dispersar um “nunca visto ajuntamento popular” em Portugal. “Fiz aquilo que nenhum político conseguiu”, orgulha-se o ex-líder dos Gatos Negros, a banda que ousou simbolizar uma já então inquieta juventude portuguesa.
Fonte: Por Madalena Bentes, Correio da Manhã (27-06-2004).
Álbum gentilmente cedido e enviado por Gilda, a nossa amiga do Canadá, a quem agradecemos.
Publicada por Músicas dos Anos 60 - Recordar é Viver à(s) 20:10
Etiquetas: Portugal, Victor Gomes
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3 comentários:
Que me lembre, Victor Gomes e os Gatos Negros actuaram duas vezes no Entroncamento, no Ringue dos Ferroviários (já desaparecido)nos finais dos anos 60. Já estava na fase descendente, e mesmo assim, conseguia levar os mais novos ao rubro, apesar de algumas (muitas)falhas na actuação, falta de ensaio e eventualmente outras coisas (...) a mais.
Quando gravou "Juntos outra vez", já era uma sombra do grande ídolo das multidões.
Este cd de 1993 nem chega a ser o canto do cisne. Há vozes que envelhecem bem (Daniel Bacelar é um bom exemplo, mesmo sem Marcianita...); no caso, é um cd vulgar, que podia ser de Victor Gomes, como de António, Luís ou Francisco. Para mim, ficarão sempre as imagens de VG e os seus Gatos Negros na RTP no célebre programa em que juntaram o melhor do pop-rock nacional, com o público encavalitado em andaimes.
Olá Reinaldo,
Não podia estar mais de acordo consigo. Tenho precisamente a mesma opinião. Este CD é realmente uma sombra dos tempos áureos do Victor Gomes, mas como já é quase uma raridade e como documento histórico, não deixei de o postar.
Abraço,
C.S.
link off :(
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