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Por Um Punhado de Psicodelia, V/A (1967-1976/Brasil)
domingo, 12 de março de 2017
Por Um Punhado de Psicodelia, V/A (1967-1976/Brasil).
O psicadelismo (a psicodelia) se fez presente no rock nacional (do Brasil) com as suas guitarras distorcidas e letras lisérgicas desde o final dos anos sessenta, desdobrando-se em som progressivo e outras misturas afins até à primeira metade dos anos setenta, incorporando inclusive as sonoridades regionais, especialmente a nordestina. Enfrentando toda a sorte de preconceito, o género contribuiu para alargar os horizontes da música jovem brasileira, cujas estruturas conservadoras haviam sido abaladas pouco tempo antes pelo som de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Rogério Duprat e Os Mutantes, no movimento baptizado de Tropicalismo. Sem apelo comercial, o som psicadélico (psicodélico) ficou restrito a grupos mais radicais, ao público mais descolado e sintonizado com o movimento "hippie" e a poucas gravações, em raros e valiosos LPs e compactos.
As primeiras manifestações psicadélicas ocorreram em São Paulo, através de grupos como The Beatniks, Os Baobás e The Galaxies, que introduziram nos seus repertórios clássicos do género produzido nos Estados Unidos, especialmente. The Beatniks, grupo de palco do programa Jovem Guarda (Roberto Carlos) na TV Record, aliado ao agitador cultural e artista plástico Antônio Peticov, produziu óptimos compactos, com covers de Gloria (Them), Fire (Jimi Hendrix) e Outside Chance (The Turtles). Os Baobás, que teve Liminha entre os seus membros, também se destacou por meio de cinco óptimos compactos e um LP, onde registaram a sua paixão por Doors, Jimi Hendrix e Zombies, entre outros. Enquanto The Galaxies, misto de paulistas, americanos e ingleses, deixaram um raro e clássico álbum gravado em 1968, contendo canções originais e covers para Love, Donovan e outros ícones da geração "flower power".
Ainda nos anos sessenta, outras bandas como The Beat Boys, Os Brazões e Liverpool produziram obras geniais que ficaram na memória de quem viveu a época. The Beat Boys, depois de acompanhar Caetano Veloso em Alegria Alegria e Gilberto Gil em Questão de Ordem, gravou um excelente álbum, lançado em 1968, que contém alguns clássicos do psicadelismo nacional, como Abrigo de Palavras em Caixas do Céu. Os Brazões também gravaram apenas um óptimo e ultra-tropicalista LP, que contém Gotham City (regravada pelo Camisa de Vênus, nos anos oitenta), Pega a Voga Cabeludo (de Gil), Momento B8 (Brazilian Octopus) e Planador (Liverpool), entre outras pérolas sonoras. Já o grupo gaúcho Liverpool é responsável por um dos melhores álbuns gravados nos anos sessenta, o LP Por Favor, Sucesso, que contém as clássicas Impressões Digitais, Olhai os Lírios do Campo e Voando, entre outras.
Menos conhecidos, grupos como Spectrum, Bango, Módulo 1000, Equipe Mercado e A Tribo também marcaram com as suas misturas sonoras o início dos anos setenta. O grupo Spectrum, de Nova Friburgo, com a trilha sonora do filme Geração Bendita, produziu um dos mais raros e desconhecidos discos psicadélicos dos anos setenta, com qualidade internacional, e ainda actual. O carioca Módulo 1000, por sua vez, marcou o início da década de setenta com o seu som psicadélico-progressivo, registado no disco Não Fale Com Paredes, outro clássicos do rock nacional de todos os tempos. A Tribo, com Joyce, Toninho Horta e outros músicos que depois brilharam na MPB, e Equipe Mercado, tendo à frente a dupla Diana e Stull, transitaram entre a influência roqueira e as sonoridades regionais, deixando algumas poucas gravações.A partir dessas primeiras experiências, e incorporando o som progressivo, inúmeros grupos transportaram a juventude brasileira para espaços mais livres e criativos, além dos limites impostos pela censura ditatorial. Apoiados na riqueza musical nacional, os grupos misturaram rock, tropicalismo, barroco, jazz, erudito, som oriental, música regional e tudo o mais disponível para evoluir e criar um dos universos sonoros mais criativos do planeta, naquele momento. Grupos como A Barca do Sol, Som Nosso de Cada Dia, Moto Perpétuo, Som Imaginário, Terreno Baldio, Recordando o Vale das Maçãs, Soma, Veludo, Vímana e Utopia - uns mais conhecidos, outros ainda obscuros para a grande maioria - deram a sua contribuição de ousadia e de "inventividade" sonora e poética para a história do rock brasileiro.
Texto parcialmente retirado e adaptado de um trabalho mais alargado de Fernando Rosa, editor de Senhor F (que aconselhamos e incentivamos a lerem na íntegra), e a quem agradecemos.
Os Carbonos
Faixas/Tracklist:
01 - 1967 - Caetano Veloso - Eles
02 - 1968 - Os Mutantes - Ave Genghis khan
03 - 1969 - Som Imaginário - Nepal
04 - 1969 - Vanusa - Hey sol (part. esp. Dom e Ravel)
05 - 1969 - Dom e Ravel - Desvio mental
06 - 1968 - Os Apaches - 11º Mandamento
07 - 1970 - Módulo 1000 - Metrô mental
08 - 1970 - Cleide Alves - O mundo que sonhei
09 - 1972 - Tony e o Som Colorido - O Carona
10 - 1970 - Serguei - O burro cor-de-rosa
11 - 1975 - Lula Côrtes e Zé Ramalho - Raga dos raios
12 - 1974 - Secos e Molhados - Voo
13 - 1968 - Gilberto Gil - Questão de ordem
14 - 1976 - 14 Bis - God save the queen
15 - 1970 - Tom Zé - Jimmy renda-se
16 - 1969 - Gal Costa - Cultura e civilização
17 - 1971 - Os Carbonos - We're not gonna take it
18 - 1969 - The Pop's - Som Imaginário De Jimmi Hendrix
19 - 1971 - Bangô - Inferno no mundo
20 - 1969 - Loyce e Os Gnomes - Era uma nota de 50 cruzeiros
Álbum gentilmente cedido pelo nosso amigo Wilmer Cabral, juntamente com a habitual colaboração do nosso companheiro e amigo Chico, do Sanduiche Musical.
Publicada por Músicas dos Anos 60 - Recordar é Viver à(s) 06:00
Etiquetas: Brasil, Colectâneas, Compilação, Por Um Punhado de Psicodelia, V/A, Varios
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1 comentários:
Multo Obrigado ! Love this psychedelic music from brasil. I dont understand the language but love the sound of it, so warm and tender...greetings from germany
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