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Conjunto de Oliveira Muge (EP 1966)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011





Conjunto de Oliveira MugeOn The Road With… (2º EP Parlophone JGEP 12008, 1966).

Faixas/Tracks: Nessuno Mi Puó Giudicare / Mirza / A Mãe / In Un Fiore.

Em Moçambique e em Portugal o mesmo EP foi editado com capas diferentes, pelo que se reproduzem as duas. Do EP, destacamos o famoso tema "A Mãe".

Biografia: 

» De Ovar a Vila Pery « 

“Nasceu, assim se pode dizer, de uma brincadeira, pois como tínhamos bastante intuição e vontade para a música, resolvemos formar um conjunto…” 

A formação clássica do Conjunto de Oliveira Muge em Moçambique, era formada por José Muge (teclas), António Policarpo (vocalista e viola solo), António Muge (bateria), todos da cidade de Ovar no distrito de Aveiro e José Violante (viola baixo) nascido em Cinfães do Douro mas que vivia em Vila Pery, desde o mês de nascimento. 
As suas iniciais actuações remontam ao longínquo ano de 1961, onde actuaram ao vivo em Ovar, no Café Progresso e ainda noutras localidades do Distrito de Aveiro, assim como no Porto, nos estúdios da RTP, com um programa em directo e no Rádio Club Português (RCP/Norte). 
No início dos anos 60, António Oliveira Muge (já falecido) foi o primeiro a partir da sua terra natal (Ovar) para Vila Pery/Moçambique. Nessas terras de magia e feitiço, António Muge e mais tarde o seu irmão José Oliveira Muge, conjuntamente com António Policarpo de Oliveira e Costa e Victor Montoya, reformularam o grupo. 
Em 13 de Agosto de 1962, quando partiram do Cais do Sodré para a Beira/Moçambique actuaram no navio Infante, e foram convidados a permanecer nesse barco. Todavia, delicadamente recusaram porque o destino era a Beira onde tinham familiares à sua espera.” 
Começaram a notabilizar-se rapidamente, pois com um nível fora do comum, abrilhantavam bailes, festas e outros eventos, tanto na região de Manica e Sofala como em Lourenço Marques. Actuaram também no antigo Rádio Clube de Moçambique (RCM) na sua passagem por Lourenço Marques e mais tarde nos países limítrofes. 
Em Outubro, Novembro e Dezembro de 1962, deslocaram-se à antiga Rodésia, onde apresentaram na TV, em directo, o programa “Seven Three Oh Show”, com muita audiência e ainda em hotéis, Clubes de Salisbury e Boite La Boheme. 
Em meados de Janeiro e durante o mês de Fevereiro de 1963, actuaram no Quénia, no New Stanley Hotel (Grill Room), em Nairobi e também na TV local. 
Em 1964 foi-lhes concedido pela imprensa moçambicana, o primeiro Prémio entre os melhores do ano, o que lhes permitiu percorrerem Moçambique de lés-a-lés. 
Chegaram a ser convidados não só para se deslocarem à África do Sul, o que veio a acontecer, como a Londres e a Chicago e só não assinaram os contratos para as digressões porque não quiseram enveredar pelo profissionalismo. 
Ainda em 1965, depara-se-lhes o primeiro contacto com o estúdio de gravação da Rádio Aero Club (RAC), onde gravaram o seu primeiro EP. 
Em 1966, surgiu a hipótese de se deslocarem à África do Sul para gravarem nos estúdios da Parlaphone/EMI e será editado, pela Importadora, o 2.º EP, On the Road with Oliveira Muge, onde estava incluída a faixa “A Mãe”, da autoria de António Policarpo. 
Era a época do Pop/Rock (Rock e Twist), no entanto o seu repertório baseava-se essencialmente na música italiana, espanhola e francesa (eram exímios). 
Foi nessa época considerado um dos melhores conjuntos de Moçambique, de grande qualidade musical. Venderam inúmeros EPs e as suas canções passavam imensas vezes nas rádios. Os seus EPs gozavam de grande popularidade, colocando-se entre os tops dos 10 mais vendidos. O tema “A Mãe” foi das canções mais solicitadas pelos militares em Moçambique, no período da Guerra Colonial. 
Em 1969 regressaram temporariamente a Portugal, onde actuaram em bailes de Carnaval de Ovar. 
Entretanto decorria a Guerra Colonial. O grande êxito do compositor Policarpo Costa era a “A Mãe”, um tema sentimental que lembrava a separação, a dor da partida, a distância das famílias e os militares e acima de tudo, as saudades que os militares tinham das suas “mães”. 
De regresso a Moçambique, o conjunto manteve-se activo até cerca de 1974. 
Regressaram em 1976, por altura da Independência de Moçambique. Como teria dito a cançonetista portuguesa Maria de Lurdes Resende que trabalhou com este conjunto, “ O conjunto de Oliveira Muge é um agrupamento de muita categoria”. Sem dúvida, de categoria internacional! 
Posteriormente, em Julho de 1976, o grupo reapareceu actuando durante vários anos no Restaurante Progresso, do Furadouro, não faltando no seu vasto repertório, os ritmos africanos de Moçambique e não só. 
Para que conste, o famoso tema “A Mãe” foi recentemente utilizado como música de fundo no filme português “Aquele Querido Mês de Agosto” que foi o único filme nacional presente ao festival de Cannes/2008, tendo sido incluído na Quinzena dos Realizadores. 
Também no filme TABÚ do mesmo realizador e que foi Prémio da Crítica no Festival de Berlim de 2012, a história desenvolve-se à volta da vida do grupo, passada em Moçambique (o personagem principal tem um conjunto yé yé inspirado no Conjunto Oliveira Muge).
Actualmente, José Muge vive em Ovar, onde o bichinho da música ainda o atormenta. Ainda toca e compõe… e mantém a paixão, o gosto e a dedicação à música.
Quanto ao José Violante (viola baixo), após o 25 Abril 74 a sua actividade musical já nessa altura estava praticamente reduzida aos fins de semana, simplesmente para alimentar o seu “bichinho” pela música e a poder desfrutar. Com excepção da era Oliveira Muge essa actividade nunca foi tão intensa, dedicada e profissional. 
De regresso, em 25 Abril 76 chegou a Portugal com a esposa pela 2ª vez. Estivera em 1969 com o Zé Muge, o Policarpo e o António Muge a fazer o Carnaval em Ovar, terra natal dos seus companheiros da banda que seriam sempre os seus mentores, um marco na sua vida e para quem teria sempre uma palavra de agradecimento. 
No entanto, o ambiente musical que encontraria na “metrópole” quando chegou, era diferente do que imaginava. 
Certamente que haveriam vários factores que contribuíram para isso, nomeadamente a falta de estabilidade emocional e económica da época. Sem isso, dificilmente haveria lugar para fazer música nos moldes que gostava e imaginava. 
Nessa altura, pontualmente os músicos moçambicanos regressados das ex-colónias juntavam-se para tocar onde fosse possível e essencialmente para melhorar os seus rendimentos. 
Felizmente, nos finais da década de 70, a situação começou a melhorar. 
Em 1979 assinou um contrato por 6 meses na Figueira da Foz com o pianista Mário Simões. Após esse contrato, ficou temporariamente inactivo mas, em meados de 80, juntou-se a alguns colegas músicos moçambicanos no Casino de Espinho, com quem trabalharia com agrado. 
A linguagem musical era idêntica e acabou por formar e integrar a banda ''Sygma'' (Sygma Band), grupo que, para além de si próprio (no baixo), era composto por Carlos Alberto Silva (bateria), Pedro Abreu (teclas), Zeca Carvalho (guitarra) e Domingos Fu (voz, bateria e percussão). 
Este grupo foi residente no Casino de Espinho, no da Figueira da Foz (com vários contratos), no Estoril e na Madeira, no Sheraton Hotel. 
Dos vários contratos que fizeram com o Casino da Figueira da Foz, terá sido o último o que os ligou à empresa e à cidade. Foram 25 anos neste Casino. 
Violante ainda hoje recorda saudosamente o Conjunto Oliveira Muge, mantendo vivo o gosto e o "bichinho" pela música. Continua activo, ainda toca com prazer, dedicado e disponível sempre que precisem dele…!
Policarpo faleceu em 13 de Julho de 2012.

Por Carlos Santos. 

(Agradecimento especial aos amigos José Muge e António Policarpo (já falecido entretanto) que tiveram a gentileza de oportunamente me cederem recortes de jornais da época, fotos e apontamentos sobre o conjunto e à colaboração do nosso amigo Rafael Amorim. 

(Actualização efectuada em 18/10/2012)

Discografia:

1º. EP - And The Heavens Cried / Twist Bocage / Et Pourtant / Sabato Sera (1965)
2º. EP - Nessuno Mi Puó Giudicare / Mirza / A Mãe / In Un Fiore (1966)
3º. EP - Sospesa Ad' Un Filo / Cosi Come Viene / Gorongoza / Maggie (1967)
4º. EP - Piange Con Me / Longe de Ti / Il Mio Amore Con Julia / In The Moonlight (1968)

EP disponibilizado por Carlos Santos.
Ripado do vinil. Digitalização (capas e áudio) e masterização, por Carlos Santos.

6 comentários:

Anónimo disse...

Quero parabeniza-los por seuas postagens e blog. Mmuitas raridades.

Músicas dos Anos 60 - Recordar é Viver disse...

Muito obrigado pela participação.
J.R.

Ariana Prata Dias disse...

ola,meu nome é Ariana Prata Dias e gostaria muito de saber o que foi feito do antonio biscaia
Sou filha da xunquita,que trabalhou com ele na radio,queria muito saber dele

Músicas dos Anos 60 - Recordar é Viver disse...

Olá Ariana, seja bem vinda.
Não tenho essa informação mas já me pus em campo para poder saber alguma coisa. Quando tiver alguma novidade, lhe darei notícias. Obrigado pela participação.
Carlos Santos

Músicas dos Anos 60 - Recordar é Viver disse...

Olá Ariana,
Conforme me havia comprometido, estive em contacto com um dos elementos deste conjunto (o Policarpo)que infelizmente me informou que o Biscaia já faleceu há alguns anos.
Abraço,

Carlos Santos

Anónimo disse...

link off :(