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Parafuso (Romão Félix)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

 No Cinema Dica, em Lourenço Marques, com o Conjunto Renato Silva (1970)



Não poderíamos deixar de relembrar com saudade este grande comediante que tantas alegrias e bons momentos nos trouxe na nossa juventude. Para ele a nossa singela homenagem e um Bem Haja.

Carlos Santos

História inédita do Grande Parafuso contada pelo seu próprio punho

Manuel Romão Félix (Parafuso), nascido em Lisboa no dia 20 de Janeiro de 1936, casado com a minha Josefina, Manuela Félix desde 1961.

Fui para Moçambique, Lourenço Marques em 1943, onde estive até 1976, ano em que tive de regressar a Lisboa pelos motivos que são do conhecimento de todos.

Não posso dizer que foi difícil a minha adaptação a Lisboa, embora como todos os "retornados", tenha passado as passas do Algarve, como se costuma dizer.

Voltando ao "meu Moçambique" ali passei os meus melhores anos da minha vida, andei na escola Paiva Manso onde fiz a minha primária, frequentei durante algum tempo a Escola Especial, onde o director era o Sr. Malveiro, depois fui para a Escola Comercial onde fiquei só até ao 3º ano…

Aos 15 anos comecei a trabalhar num despachante oficial (Hélder Barata), estive por lá dois anos e tal e o meu vencimento na altura eram uns 500 escudos, , depois passei para uma firma de transitários a "Fred Cohen Goldnan" e já lá trabalhava o Bebé Carreira que já ganhava umas "massitas".

Em 1955, o Rádio Clube de Moçambique, fez um concurso para cançonetistas, instrumentistas e imitadores, classe em que eu concorri.

Fiquei em 1º lugar imitando um negro na sua maneira típica de falar o Português e assim nasceu "O Parafuso".

Dali para a frente, felizmente o sucesso foi grande, fui então convidado pelo RCM e passei a fazer parte do seu Cast Artístico, participando nos famosos programas de variedades, ás terças e sextas feiras.

Depois, passei a fazer espectáculos em todas as grande e famosas salas de Lourenço Marques, percorri todo o Moçambique, fiz muitos espectáculos na África do Sul, (Johannesburg, Pretória, Durban, Cape Town).

Em Moçambique, gravei 18 discos, o maior numero até á data e todos eles atingiram RECORDE DE VENDAS...

Durante a minha fase artística, trabalhei na Delta Publicidade, que era dos meus amigos Carlos Albuquerque e Graça.

O Albuquerque fazia ali diverso serviço publicitário e tinha também, para além dum programa do Parafuso, colaboração em locução noutros programas.

Em 1955 fui para Boane para cumprir o serviço militar e ali conheci a minha mulher Manuela, o grande suporte da minha vida, e este ano iremos fazer 47 anos de casados…

Em Lisboa o Parafuso, também teve um sucesso enorme, gravei dois discos single, sendo o 1º "Parafuso em Lisboa" o disco mais vendido em Portugal, qualquer coisa como 60 000 exemplares na época era muito disco… depois fiz ainda um espectáculo na TV e diversas actuações pelo País…

Em 1984 o "Parafuso" arrumou as botas, mas não quer dizer que de vez em quando não faça umas gracinhas, nem que seja para os meus netos…

Naturalmente a minha vida artística foi muito completa e muito ficou por dizer, mas por estas linhas, certamente que muitos ficarão a saber um pouco da vida do PARAFUSO.

"A si argúem ficaste chatiado com este mensagem do Parafuso, descurpa…

Sim…chi…mas cada um és como cada qual, mas ninguém és como evidentemente….ambanine e qui o chicuembo proteja todos vocês..."

Ambanine tátá...

Fonte:  Blog de rogertutinegra7 e Malhanga(Magno)

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