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Victor Gomes e Os Siderais - Juntos Outra Vez (EP 1967)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Victor Gomes e os Gatos Negros - A Whole Lotta Shakin Going On  (ao vivo - RTP 1965, from YouTube)
 






Victor Gomes e Os Siderais - Juntos Outra Vez (EP 1967). 

Para este EP existem 2 edições. A edição portuguesa ( EP F M.E.L 2-077, 1967) e a edição espanhola (EP Marfer, M.E.L. 2.077, 1967). 

Faixas/Tracks: 
Juntos Outra Vez / My Prayer / Mama / Há-de Voltar 
Bonus: A Whole Lotta Shakin Going On (live RTP 1965). 

Victor Gomes chegou a Moçambique apenas com dois anos de idade com a família. Mais tarde, o então jovem hoquista Vítor Gomes despontou para a fama nos anos 50, depois de vencer de forma arrebatada um concurso do Rádio Clube de Moçambique, destinado à descoberta de novos valores. Atirado para a ribalta, rapidamente se transforma no ídolo das adolescentes moçambicanas. Instigado pelo talento, que o leva a arriscar a sorte na Sétima Arte ("A Canção da Saudade" é o filme com que atinge maior popularidade) e confiante num possível êxito internacional, vem para Lisboa, onde se junta a quatro músicos da Trafaria (três guitarristas e um baterista), inspirados nos Shadows, com quem forma os célebres Gatos Negros. Uma cor associada à indumentária de cabedal com que a banda, caracterizada pelo frenesim electrizante do rock e do twist, domina os palcos portugueses. O fim do grupo dá-se com a ida para a tropa de dois dos quatro músicos e o início da carreira a solo do seu líder, que o leva a Angola, Moçambique, África do Sul e Zimbabwe. Neste último país conhece Nicky Honey, uma sul-africana de origem holandesa, com quem forma um duo até 1972. Dois anos depois põe o primeiro ponto final na carreira, ao casar-se e decidir “obter estabilidade”, voltando à antiga profissão de serralheiro civil. Em 1991, então com 51 anos e seis filhos, Vítor Gomes regressa a Portugal e faz renascer os Gatos Negros apenas com dois dos elementos da banda original, Manuel Eixa e José Alberto, mas apesar de conseguir actuar nas melhores salas de Lisboa, o projecto acaba por não vingar e decide radicar-se no Algarve. 


Ainda rebelde, mas agora com “mais calma” prepara um novo CD, cantado exclusivamente em português, com o qual pretende revelar o outro lado de um gato, corajosamente bravio. É que, embora o cabelo esbranquiçado – que insiste em conservar meio despenteado e caído sobre a testa – denuncie a idade do bilhete de identidade, o espírito que anima os dias de Vítor Gomes ficou preso ao tempo em que arrastava multidões e rivalizava com duas outras figuras nacionais: Amália, no fado, Eusébio, no futebol. Porque “sem desprimor pelos colegas da altura”, salienta, na música moderna era Vítor Gomes quem levava ao delírio milhares de fãs que o perseguiam. Como numa célebre noite de 1964, na Praça do Saldanha, em Lisboa, com a própria PIDE-DGS (que acompanhava atentamente as suas digressões), a ver-se impossibilitada de exercer qualquer pressão para dispersar um “nunca visto ajuntamento popular” em Portugal. “Fiz aquilo que nenhum político conseguiu”, orgulha-se o ex-líder dos Gatos Negros, a banda que ousou simbolizar uma já então inquieta juventude portuguesa. 

Fonte: Por Madalena Bentes, in Correio da Manhã, 27-06-2004 

Nota: Ainda hoje, apesar da idade e das vicissitudes da vida, o enérgico roqueiro Victor Gomes continua a cantar e a encantar. O nosso grande abraço para este verdadeiro roqueiro português. 

EP disponibilizado por Carlos Santos. Ripado do vinil. Digitalização (capas e áudio) e masterização, por Carlos Santos.

8 comentários:

António José Castro disse...

é pena o victor gomes ser uma espécie de tony carreira e ricardo landru dos anos 60. então "juntos outra vez" é de sua autoria? ...e o pirata sou eu!

Músicas dos Anos 60 - Recordar é Viver disse...

Olá amigo Castro,
Tanto quanto sei, sou levado a crer que o tema "Juntos outra vez" é da autoria de Victor Gomes, apesar das várias pesquisas que efectuei para tentar descobrir a sua origem. Para além do que está inscrito na contracapa do EP, também consultei a Internet e a "Enciclopédia da música ligeira portuguesa", de Luís e João Pinheiro de Almeida (pág. 399), onde encontrei a seguinte passagem que passo a transcrever: "...Produzido pela Grande Feira do Disco, o EP continha «Juntos outra vez», original de Vitor Gomes...".
De qualquer dos modos se o amigo tem mais alguma informação sobre o assunto, por favor, partilhe connosco.
Obrigado pela participação e um abraço,

Carlos Santos

Reinaldo Amarante disse...

Victor Gomes e Os Gatos Negros actuaram no Entroncamento duas vezes, nos finais dos anos 60, quando já estavam na curva descendente. Ainda assim, deu para mostrar um pouco do que tinham sido nos seus tempos áureos. Pena foi, que nunca tivessem gravado, já que se dedicavam (por falta de tempo?) a covers, mas não tenho dúvidas em classificar Victor Gomes como um dos maiores roqueiros portugueses do seu tempo.
Quanto ao "Juntos outra vez", seja de quem for, é um triste exemplo do que nunca devia ter sido feito. Tal como José Cid, ninguém é perfeito...

Músicas dos Anos 60 - Recordar é Viver disse...

Obrigado pela participação.
J.R.

Anónimo disse...

Tenho muitas dúvidas que a digitalização das capas tenha sido feita por Carlos Santos. E sabe porquê? Porque essas capas são minhas e foram digitalizadas por mim e as cedia outro blogue (de onde foram roubadas). De qualquer forma, parabéns. Abel Rosado

Músicas dos Anos 60 - Recordar é Viver disse...

Amigo Abel,

Com o comentário que fez lá retá as suas razões, mas infelizmente ou felizmente eu tenho este Ep. Não tenho muitos EPs mas este tenho-o realmente...
Obrigado pela colaboração.
C.S.

Anónimo disse...

Bom dia,
Será que podem ajudar:
No ano de 1962, um Victor Montoya tocou bateria com o Conjunto Oliveira Muge em Mocambique.
Quando o batalhão dele voltou para Portugal, no final desse ano, ele terá sido obrigado a retornar a Metropole e, nessa altura, terá feito parte da primeira formação dos Gatos Negros.
Procuro confirmar essa informação e saber do paradeiro do Victor Montoya.
Os membros restantes do Conjunto Oliveira Muge perderam-lhe o rasto. Entretanto um Luis Tita nos Guedelhudos disse que ele seria, talves, um dos irmãos Montoya que tocou nos GRRMM com o Edmundo Falé.
Alguem pode ajudar?
Abraço

Músicas dos Anos 60 - Recordar é Viver disse...

Olá Rafael,

Já enviei Email para o Edmundo Falé e para o Daniel Bacelar, pode ser que saibam alguma coisa.
Entretanto, aqui fica o alerta...
Abraço,

Carlos Santos