Contracapa facultada por Reinaldo Amarante, a quem muito agradecemos.
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José Jorge Letria - Pare, Escute e Olhe (single 1971)
segunda-feira, 25 de julho de 2011
José Jorge Letria - Pare, Escute e Olhe (Single ZIP ZIP / ZIP 30 020/S - 1971).
Faixas/Tracks:
Pare, Escute e Olhe - José Jorge Letria
Arte Poética - Hélia Correia/José Jorge Letria
José Jorge Alves Letria (n. Cascais, 8 de Junho de 1951) é um jornalista, político, poeta e escritor português.Nos anos 70 foi um activo cantor de intervenção, ao lado de nomes como José Afonso, Manuel Freire, Adriano Correia de Oliveira e Francisco Fanhais, entre outros, tendo gravado entre 1968 e 1981, cerca de uma dezena de discos e realizou centenas de espectáculos, nomeadamente na Galiza e em Madrid entre 1972 e 1973. (In Wikipedia).
Tal como "Erguer a Voz e Cantar" de António Macedo, “Arte Poética”, a faixa B deste single, foi largamente cantada, antes do 25 de Abril, em convívios estudantis e trabalhadores.
Trata-se de um bonito poema de Hélia Correia com música de José Jorge Letria.
Na contracapa José Jorge Letria deixou escrito um texto em que pretende dar a conhecer as dificuldades sentidas na edição dos seus discos. Não apenas suas dificuldades, de outros também:
“Foi mais de um ano de silêncio (depois do primeiro disco-fracassado). Mais de um ano de silêncio inteiramente assumido. Voluntariamente aceite. É fora dos circuitos normais (televisão, rádio, promoção, venda) que, dolorosamente, sem trincheiras nem disfarces, se descobrem os amigos (?), que se aprende a abominar a hipocrisia e a falsa coerência, a miséria das intenções, a ignorância das coisas elementares."É no silêncio (um certo silêncio, entenda-se), que se descobre a utilidade das palavras. O seu fogo. A sua forma exacta. A sua acutilante facilidade de chegar onde mais ninguém chega. E ao mesmo tempo a sua infinita pobreza. A sua enorme timidez. Sim, porque as palavras são tímidas. Haverá alguém que duvide?"Para mim conservo a certeza de que está tudo ainda por fazer. Não são meia dúzia de discos ou de frases publicitárias, publicamente ditas, que definem uma música e lhe dão a necessária consistência. Desfaçam-se pois os equívocos. Já não é sem tempo. A quem me ouvir deixo, entretanto, a possibilidade de transformar em acto (ou quase) o que no canto se propõe. Se isso não acontecer fico, pelo menos, com a certeza de ter levado até ao fim a minha ingenuidade. Ou seja o silêncio donde partiu. Para os que ficarem pelo caminho vai também a minha saudação."
Texto parcialmente retirado de "Cais do Olhar".
Temas do single e capa frontal gentilmente cedidos por Luís Futre.
Contracapa facultada por Reinaldo Amarante, a quem muito agradecemos.
Contracapa facultada por Reinaldo Amarante, a quem muito agradecemos.
Ripado, digitalizado e masterizado do vinil por Carlos Santos.
Publicada por Músicas dos Anos 60 - Recordar é Viver à(s) 00:31
Etiquetas: José Jorge Letria, Portugal
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4 comentários:
Também tenho este single. Durante a ditadura foi proibido por causa do tema da face B. Percorri um dia as discotecas da Rua do Carmo à sua procura e a resposta foi: "Proibidíssimo!". Não havia hipóteses. Tive de me contentar com um single que trazia na face B um outro tema de crítica social que não me lembro. Só após o 25 de Abril consegui comprá-lo. Curiosamente, penso que J.J.Letria gravou mais do que uma versão de Arte Poética. Uma delas integrou o álbum "Até ao pescoço", que na altura também não chegou a ver a luz do dia...
Olá Reinaldo.
Pois, eu soube que este disco esteve proibido na época.
Já agora Reinaldo, será que nos pode facultar a contracapa deste single e me enviaria para o nosso Email???
Agradecemos antecipadamente.
Abraço e obrigado pela colaboração e participação.
Carlos Santos
Olá Reinaldo,
Já recebi a contracapa e já a postei. Muito obrigado e um abraço,
Carlos Santos
Tenho de fazer uma correcção. Na contracapa está a data da sua aquisição "73", em plena Primavera Marcelista. O curioso disto é que muito do que era proibido e impossível ser encontrado em Lisboa, onde me deslocava para o efeito, comprava-se em pequenas livrarias da província, por vezes, em caixas de cartão ao canto do balcão, misturado com os populares "Top of the Pop". Foi assim que antes do 25 de Abril comprei a "Arte Poética", "A menina dos olhos tristes" por José Afonso, "Canção com Lágrimas e Sol" e "O canto e as armas" de A.Correia de Oliveira, "A margem de certa maneira" de J. Mário Branco e mais alguns. Mas o cúmulo disto tudo, foi eu ter comprado antes do 25 de Abril o proscrito álbum "Venham mais cinco" de José Afonso... no "Casão Militar" de Lisboa. Incrível!
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