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Petrus Castrus - Ascenção e Queda (LP 1978)

terça-feira, 11 de novembro de 2014



Petrus Castrus ‎– Ascenção E Queda (LP Decca/VC ‎– SLPDY 3004, 1978).

Ascenção e Queda é o segundo álbum da banda portuguesa Petrus Castrus, editado em 1978.


Formados em 1971, os Petrus Castrus eram liderados pelos irmãos Pedro Castro (voz, guitarra, ex–Chinchilas) e José Castro (baixo). Recrutaram dois antigos membros dos Play Boys - Júlio Pereira (guitarra, mais tarde Xarhanga) e Rui Reis (teclas), aos quais se juntaria ainda João Seixas (bateria). Começaram então a praticar uma música próxima do rock sinfónico, então muito em voga. Conseguem um contrato discográfico com a Valentim de Carvalho e editam dois EP’s com os títulos "Marasmo" e "Tudo isto, Tudo Mais", que foram muito bem recebidos pela crítica. Desvinculam-se da editora e assinam pela recém-formada Sassetti onde editam o seu álbum de estreia intitulado "Mestre", hoje considerado um dos melhores discos portugueses de todos os tempos. O disco foi gravado em França, no mesmo estúdio onde José Afonso gravou o seu álbum "Cantigas do Maio". "Mestre" é constituído por músicas com poemas de Bocage, Alexandre O’Neill, Ary dos Santos, Fernando Pessoa e Sophia de Mello Breyner Anderson. O facto de terem gravado estes poetas vale-lhes a confiscação do disco por três meses pela famigerada Comissão de Censura. Pouco tempo depois da gravação do disco, Júlio Pereira sai para formar os Xarhanga. Ainda antes do 25 de Abril de 1974, os Petrus Castrus gravaram o single "A Bananeira", só editado depois dessa data. A atitude de sátira social, desde sempre associada à banda e por ela assumida, não tinha nada a ver com as propostas musicais surgidas no pós-revolução, em que se tentava dizer de uma só vez o que esteve escondido durante muitos anos, através da chamada música de intervenção. Como a banda não se sentia confortável nesse papel, suspende as suas actividades. João Seixas e Rui Reis ingressam nos Plutónicos, mais tarde Ferro E Fogo. João Seixas haveria de reencontrar Júlio Pereira, quando fez parte da banda do autor de “Cavaquinho”, em concertos ao vivo. Os irmãos Castro partem para o estrangeiro para regressar em 1976, licenciados em economia e engenharia. Em 1976 a banda retoma actividades. Lançam um novo LP intitulado "Ascensão e Queda". Em trio, com os irmãos Castro e Miguel Urbano na bateria, os Petrus Castrus contam, ainda, com as participações de Fernando Girão (aka Very Nice), Lena d’Água e Nuno Rodrigues (membro da Banda do Casaco). Embora seja um fracasso comercial e tenha sido arrasado pela crítica da época, hoje esse disco é procurado, sobretudo pelos coleccionadores de música progressiva. Ainda gravaram mais dois singles, "Cândida" e "Agente Altamente Secreto", mas só será editado o primeiro. 
Chegaram a dar alguns concertos ao vivo e infelizmente, acabariam por encerrar actividades em 1980, permanecendo como uma referência musical portuguesa dessa época.
A biografia deste grupo já se encontra inserida neste blogue.

Fonte: Under Review

Faixas/Tracklist:


"A Chegada" - 07:05

A1 Naufrágio 
A2 O Sobrevivente 
A3 O Primeiro Encontro 
A4 Um Novo Amigo 


"A Revolta" - 05:21

A5 O Apelo 
A6 O Discurso 
A7 Marcha Sobre O Castelo 
A8 O Cerco 

"Ascenção" - 06:27

A9 Mau Presságio 
A10 O Ataque 
A11 Marcha Triunfal 
A12 Festa Do Libertador 


"Declínio e Ruptura" - 06:13

B1 Aproximação Da Nobreza 
B2 Primeira Audiência 
B3 Aproximação Do Povo 
B4 Segunda Audiência 

"Indecisão e Demência" - 07:41

B5 Monólogo Solitário 
B6 O Conselho Do Ministro 
B7 Loucura 

"Queda" - 07:25

B8 O Ultimo Acordo 
B9 Batalha 
B9 Agonia

Intervenientes:
Pedro Castro - vocais, guitarra e baixo
José Castro - teclado, sintetizador e vocais
Urbano Oliveira - bateria


Artistas convidados:
Fernando Girão - guitarra
Rui Serrão - baixo nas faixas 4 e 6
Lena d'Água - vocais
Nuno Rodrigues - vocais na faixa 4

LP gentilmente cedido pelo nosso amigo Luís Futre, a quem agradecemos.

2 comentários:

Reinaldo Amarante disse...

Segundo ouvi dizer, os álbuns "Mestre" dos Petrus Castrus e "10 mil anos depois..." de José Cid são os álbuns portugueses em vinil mais cotados no mercado de coleccionadores. Sabe alguma coisa sobre isto?

Músicas dos Anos 60 - Recordar é Viver disse...

Olá Reinaldo,

Muito obrigado pelo seu simpático e oportuno comentário.
Efectivamente, há alguns álbuns portugueses muito raros e procurados pelos grandes coleccionadores, como é exemplo o LP de 1978, de José Cid, 10.000 anos Depois Entre Vénus e Marte , considerado um marco do rock progressivo e muito bem cotado no mercado, tanto nacional como internacional, para os coleccionadores de vinil.
Mestre, dos Petrus Castrus - álbum de estreia de 1973, é mesmo um dos LPs portugueses mais raros e caros no circuito de coleccionismo internacional e também o LP Ascensão e Queda, do mesmo grupo ( 1978).
Mas se verificarmos o catálogo de "Record Collector" Vol. 5001, especializado neste tipo de questões, na página dedicada a Portugal e Grécia, encontramos também como raro para os coleccionadores, os discos dos Arte E Ofício – Faces (1979) ou os Filarmónica Fraude – Epopeia (1969).
Abraço,

Carlos Santos