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Morreu o cantor, músico e compositor português Fausto, aos 75 anos.

segunda-feira, 1 de julho de 2024


Morreu o cantor, músico e compositor português Fausto, aos 75 anos.

Fausto (Carlos Fausto Bordalo Dias) morreu esta noite, 1 de Julho/2024, em sua casa em Lisboa, vítima de doença prolongada. Carlos Fausto Bordalo Gomes Dias nasceu em 26 de novembro de 1948, em pleno oceano Atlântico, a bordo do navio Pátria, que viajava para Angola, onde viveu a infância e a adolescência e começou a interessar-se por música, assimilando os ritmos africanos que conjugaria com ritmos e modos da tradição popular portuguesa. Porém, a sua primeira banda integrava-se no movimento pop dos anos 60 e tinha por nome Os Rebeldes (de Angola). 


Fixou-se em Lisboa em 1968, quando entrou no antigo Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina, atual ISCSP – Universidade de Lisboa, para se licenciar em Ciências Sociopolíticas. A adesão ao movimento associativo aproxima-o de compositores como José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Manuel Freire e, mais tarde, de José Mário Branco e Luís Cília, que já viviam no exílio. É nessa época que grava “Chora, Amigo Chora”, que em 1969 lhe deu o Prémio Revelação do antigo programa de rádio Página Um, transmitido pela Rádio Renascença. Em maio de 1974 foi um dos fundadores do GAC, juntamente com José Mário Branco, Afonso Dias e Tino Flores. Outos trabalhos se seguiram como, “Pró Que Der e Vier” (1974), “Beco Sem Saída” (1975), “Madrugada dos Trapeiros” (1977), que inclui a canção “Rosalinda”, “Histórias de Viajeiros” (1979), “Por Este Rio Acima” (1982), o seu grande sucesso, inspirado na obra “Peregrinação”, de Fernão Mendes Pinto. Com “Para Além das Cordilheiras” (1989) venceu o Prémio José Afonso. “O Despertar dos Alquimistas”, “A Preto e Branco”, “Crónicas da Terra Ardente” são outros dos seus álbuns. Em 2003 compôs “A Ópera Mágica do Cantor Maldito” (2003), uma perspetiva sobre a história portuguesa pós-25 de Abril.


Autor de 12 discos, gravados entre 1970 e 2011 (dez de originais, uma compilação regravada e um disco ao vivo), foi um importante nome da música portuguesa e da música popular em particular. A sua obra tem sido revisitada por nomes como, Mafalda Arnauth, Né Ladeiras, Pedro Moutinho, Teresa Salgueiro, Cristina Branco, Marco Oliveira ou Ana Moura, entre outros. O seu último álbum, “Em Busca das Montanhas Azuis”, foi lançado em 2011 e contou com arranjos musicais de José Mário Branco em quatro faixas. Faleceu a 1 de julho de 2024, aos 75 anos.

R.I.P.

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